O sistema de numeração romano é um dos mais antigos e icônicos da história, sendo amplamente utilizado até hoje em monumentos, relógios, nomes de papas e monarcas, eventos esportivos e até nos créditos de filmes. Mas o que diferencia esse sistema dos algarismos que usamos no dia a dia? Qual a relação entre números e algarismos romanos? Por que alguns relógios antigos usam IIII em vez de IV? Neste artigo, vamos explorar a origem de o sistema de numeração romano, suas regras fundamentais, curiosidades surpreendentes e até erros comuns que muita gente comete ao utilizá-lo. Além disso, vamos esclarecer a diferença entre número e algarismo, um detalhe que pode parecer sutil, mas que faz toda a diferença para entender como esse sistema realmente funciona.
A Origem do Sistema de Numeração Romano: De Onde Vieram os Algarismos Romanos?
O sistema de numeração romano tem suas raízes na civilização etrusca, que habitava a península Itálica antes da ascensão de Roma. Os etruscos já utilizavam símbolos numéricos semelhantes, mas foi com o crescimento da República Romana (509 a.C.) que esse sistema ganhou sua forma definitiva.
Os romanos precisavam de um método prático para registrar transações comerciais, calcular impostos e organizar documentos administrativos. Assim, desenvolveram um sistema baseado em sete letras do alfabeto, que passaram a representar valores numéricos específicos:
- I (1)
- V (5)
- X (10)
- L (50)
- C (100)
- D (500)
- M (1000)
Diferente dos números que usamos hoje (os chamados algarismos arábicos), os algarismos romanos seguem um princípio aditivo e subtrativo. Esse sistema, apesar de eficiente para sua época, apresentava limitações, como a ausência do zero e a dificuldade em representar números muito grandes.
Como Funcionam os Algarismos Romanos?
Os algarismos romanos seguem algumas regras essenciais para garantir que os números sejam escritos corretamente:
- Ordem decrescente e adição – Em geral, os símbolos são escritos do maior para o menor, e seus valores são somados. Exemplo: XXVII = 10 + 10 + 5 + 1 + 1 = 27.
- Regra da subtração – Quando um número menor aparece antes de um maior, ele deve ser subtraído. Exemplos: IX (10 – 1 = 9) e XL (50 – 10 = 40).
- Repetições limitadas – Nenhum símbolo pode ser repetido mais de três vezes consecutivas. Por isso, 4 não é IIII, mas sim IV. O mesmo vale para 9 (IX), 40 (XL) e 90 (XC).
Isso significa que, ao contrário do nosso sistema decimal moderno, onde cada número tem seu próprio dígito, o sistema de numeração romano exige um entendimento das regras para ser lido corretamente.
Número x Algarismo: Qual a Diferença?
Embora muita gente use os termos “número” e “algarismo” como sinônimos, eles não são a mesma coisa.
- Algarismo é um símbolo que representa um valor numérico dentro de um sistema de numeração. No sistema decimal, os algarismos são 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. No sistema de numeração romano, os algarismos romanos são I, V, X, L, C, D e M.
- Número, por outro lado, é uma ideia matemática que representa uma quantidade. Ele pode ser formado por um ou mais algarismos. Por exemplo, 27 é um número formado pelos algarismos 2 e 7 no sistema decimal, e pelo conjunto XXVII no sistema de numeração romano.
Ou seja, os algarismos romanos são os símbolos individuais que formam os números dentro desse sistema numérico específico.
Curiosidades e Fatos Interessantes Sobre os Algarismos Romanos

Relógio da Estação da Luz – São Paulo, SP | Fotografia: Ronaldo Paiva
- Por que alguns relógios usam IIII em vez de IV?
Se você observar alguns relógios antigos, verá que o número 4 muitas vezes aparece como IIII, e não IV. Um exemplo notável no Brasil é o relógio da Estação da Luz, em São Paulo, que exibe o número 4 como “IIII”. Há algumas explicações para isso. Uma delas sugere que a simetria visual entre os números do mostrador do relógio fica mais equilibrada dessa forma. Outra teoria é que a escrita IV poderia ser evitada para não confundir com a abreviação do nome do deus Júpiter, que era escrito como IVPITER em latim. É importante notar que ambas as formas, “IV” e “IIII”, são consideradas corretas em relógios. A escolha entre elas muitas vezes se resume a preferências estéticas e tradições históricas. - Por que os romanos não usavam o número zero?
O conceito de zero só foi desenvolvido séculos depois pelos matemáticos hindus e difundido pelos árabes. Os romanos, por não terem esse conceito, precisavam se virar sem ele, o que dificultava cálculos mais complexos. - Qual o maior número que pode ser escrito com algarismos romanos?
O maior número que normalmente era escrito sem modificações era 3.999, representado como MMMCMXCIX. Para números maiores, os romanos usavam um traço sobre os algarismos para multiplicar seu valor por mil. Por exemplo, V̅ representava 5.000 e X̅ indicava 10.000. - Os algarismos romanos ainda são usados hoje?
Apesar de serem um sistema antigo, os algarismos romanos continuam presentes em vários contextos:- Na numeração de papas e reis (João Paulo II, Luís XIV).
- Em capítulos de livros e atos de peças teatrais.
- Em eventos esportivos, como o Super Bowl (Super Bowl LVIII).
- Em monumentos e inscrições históricas.
- Nos créditos de filmes e séries para indicar anos (por exemplo, MCMLXXXVII para 1987).
O Sistema de Numeração Romano Ainda Tem Relevância Hoje?
Embora os algarismos arábicos tenham substituído os algarismos romanos em cálculos e registros matemáticos, o sistema de numeração romano continua sendo usado por seu valor histórico e simbólico. Em muitos casos, ele transmite tradição, prestígio e solenidade, por isso ainda é tão visto em monumentos, eventos e publicações.
Mesmo que não seja o sistema mais prático para operações matemáticas, os algarismos romanos continuam imortalizados na cultura e na história, sendo uma parte fundamental do nosso legado civilizacional. Agora que você conhece suas regras, origem e curiosidades, com certeza olhará para os números romanos com outros olhos!